
Delírio e loucura tiveram espaço cativo em sua filmografia. Tal território já fora explorado por Bergman em diversos momentos e sua abordagem mais tenebrosa e definitiva se dará em A Hora do Lobo (1968).
Um pressuposto do filme é o de que duas pessoas vivendo juntas por muito tempo tendem a compartilhar características de personalidade. Algo apenas pouco diferente do que se vê em Persona (1966). Por isso considero ambos como “filmes meio-irmãos”.
O pintor Johan (Max von Sydow) e sua esposa grávida, Alma (Liv Ullmann), se mudam para uma ilha. Isolam-se. Bom, é o que eles tentam, pois alucinações como a “senhora de chapéu” e o “homem-pássaro” o incomodam cada vez mais. E Alma também as vê.
São convidados para jantar no castelo dos Merkens. Anfitriões e demais convidados se revelam as bizarras alucinações de Johan. O artista será tragado pelo peso do passado, sob a forma de uma antiga amante (Ingrid Thulin), e pela loucura. Viagem sem volta?
Independente de resposta, A Hora do Lobo é uma incursão importante de Bergman nos medos mais profundos de um ser humano. Um clássico marcante do terror psicológico.
CURIOSIDADE: Em 1974, seis anos depois do filme de Bergman, Max von Sydow voltará a mergulhar na loucura, num papel muito semelhante. Trata-se da adaptação de O Lobo da Estepe, um dos melhores livros de Hermann Hesse. O filme foi dirigido por Fred Haines. Max dará vida ao misantropo Harry Haller e encarará as situações mais insanas a cada atração do Teatro Mágico (não, não é a banda!).
Alessandro de Paula
@palavratomica
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